Pareço, às vezes, tão comum e em dados
momentos nada parece se encaixar em mim. Acordo, tem dias, tão sábia e
virtuosa, querendo ver o lado mais belo de tudo e pouco depois recolho-me aos
meus sentimentos mais primitivos, instintivos… Amo intensamente e de repente já
não sei como pude amar. Sinto vergonha da raiva que sentia, arrependo-me,
choro. Aprendo. E erro mais uma vez. Dou bons conselhos, sei de tudo o que é
certo. Sei qual é o melhor caminho, mas quase sempre, inconscientemente
consciente prefiro contrariar! Sei de todos os meus defeitos, adoro dizê-los,
mas se alguém mais os vê, tornam-se então pesadelos. Faço de tudo para não
reconhecer minhas qualidades, as nego, mas envaideço quando um outro alguém as
aponta. Tenho tantos sonhos em mim, mas muitas das vezes pareço esperar que
tornem-se reais de braços cruzados, sem saber o porquê de não conseguir tirar
os meus pés do lugar e correr para alcançá-los… Talvez medo, ou seria comodidade?
Tantas vezes mostro meus espinhos a quem só me traz afeto, e me espeto tentando
levar o melhor de mim a quem não quer saber nem do pior. Penso saber tanto
sobre mim, e no final das contas não sei uma vírgula sequer. Sou tudo!
Extremos, opostos! Sou nada. Sou humana. Sou tão, tão “… eu”.
Vitória Toledo
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